Cultura + Beleza natural = Ecoturismo
Cultura + Beleza natural = Ecoturismo
Florestas, campos de várzeas e cerrado formam a paisagem da região. São 23 mil hectares, resguardados através de decreto estadual que criou, em parceria com a comunidade, o Projeto de Ecoturismo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Curiaú. O objetivo é garantir a preservação do local, já que o crescimento de Macapá estava começando a exercer pressão sobre o ecossistema, além de influenciar o modo de vida das comunidades.
A valorização da região do Curiaú para o ecoturismo começou com os próprios moradores, que deram início a implantação de pequenos empreendimentos relacionados ao lazer e recreação. Essas iniciativas, sempre atreladas ao potencial ambiental e cultural do local, começaram a gerar alguma renda, e timidamente, despertaram o interesse coletivo pela atividade.
Com a criação da Área de Proteção Ambiental, em 1992, intensificou-se a participação governamental no local, através de desenvolvimento de ações voltadas para o ordenamento territorial da unidade e a gestão ambiental integrada. Desse processo, surgiram as potencialidades do Curiaú para uso e práticas de ecoturismo, estruturando-se uma concepção voltada para inserir essa região no roteiro de opções de lazer e recreação das populações locais e de turismo para visitantes.
Foi então que em 97, uma parceria envolvendo Governo do Estado, SEBRAE-AP, Instituto de Desenvolvimento Regional do Amapá - IRDA, Associação dos moradores da comunidade do Curiaú e Associação dos moradores de São Francisco da Casa Grande, transformou o lugar em atração turística da região. Através do projeto, foi construído um espaço cultural de múltiplo uso, para apresentação de diversas manifestações culturais típicas do local, um centro cultural para expor objetos que caracterizam a história do Curiaú, um Deck panorâmico sobre o lago do Curiaú dotado de restaurante, banheiros e loja de venda de artesanato.
Os turistas também podem passear de barco no Rio Curiaú, além de poder cavalgar e fazer passeios por trilhas ecológicas
Negro, etnia dominante

Os negros do Amapá estão espalhados em 35 redutos de diferente porte neste estado em que 45% da população é negra. Eles vivem em vilas como Coração, Carvão, Mazagão Velho, Lagoa dos Índios, Mata Fome ou São Pedro dos Bois. Lugares já reconhecidas pelo governo federal como remanescentes de quilombo, como a do Curiaú, que é considerada o "quilombo urbano" da capital, por estar muito próximo de Macapá.
A comunidade negra faz parte da formação cultural, econômica e política do Amapá. Os primeiros chegaram por volta do ano de 1751 como escravos de famílias do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Maranhão. Porém, o maior contingente veio para a construção da Fortaleza de São José de Macapá, que foi iniciada em 29 de junho de 1764 e inaugurada em 19 de março de 1782. Muitos negros, por volta dessa época, conseguiram fugir aventurando-se pelo Lago do Curiaú. Nessa região, o português Manoel Antônio Miranda tinha propriedade na Lagoa de Fora, e acolheu os fugitivos. Também os franceses que fixavam-se na margem direita do Rio Araguary estimularam a formação de quilombos.
Festa de São Joaquim

A vocação festeira da comunidade de Curiaú está ligada aos seus antepassados, os negros. Marcadas pelo sincretismo religioso, suas comemorações conjugam elementos profanos, tais como o Batuque e o Marabaixo, com rituais religiosos, como as Ladainhas em latim, a Procissão e a Folia.
Uma mostra desse sincretismo pode ser vista na festa de São Joaquim, padroeiro do Curiaú. Nesta festa, que acontece anualmente há 215 anos entre os dias 9 e 18 de agosto, as comunidades se reúnem para cantar as Ladainhas. Depois, são os tambores feitos de tronco de macacaueiro e couro de animais silvestres que dão o ritmo à festa.
O momento mais importante da festa acontece no dia 14, quando, às sete horas da manhã, levanta-se o mastro. Depois, às oito, levanta-se a bandeira, símbolo da festa. Às seis da tarde, abaixa-se a bandeira, isso todo dia, até o dia 18. Uma tradição que passa de pai para filho. A festa vai longe entre os negros do Amapá.

Bem pertinho de Macapá (AP), um lugar parece que parou no tempo. A Na Vila de Curiaú, a 8 quilômetros da capital amapaense, vivem apenas negros descendentes dos escravos que participaram da construção da Fortaleza de São José. O monumento, construído entre os anos de 1764 e 1784, tinha, no passado, a função de garantir o domínio lusitano no extremo norte do Brasil. Hoje, o local é um dos principais pontos turísticos da cidade.
Mas voltando a falar da Vila, lá habitam cerca de 1.500 pessoas em cinco pequenos núcleos: Curiaú de Dentro, Curiaú de Fora, Casa Grande, Mucambo e Curralinho. São comunidades que vivem para preservar, além da beleza natiral do lugar, a memória dos antigos escravos trazidos para o Amapá no século 18, como as tradicionais festas africanas.